Deixar a Ansiedade de lado

“Pois ele te livrará do laço do passarinheiro e da peste
perniciosa. Cobrir-te-á com as suas penas, e, sob suas asas, estarás
seguro; a sua verdade é pavês e escudo” (Sl 91.3-4).
Embora em muitas passagens da Bíblia tenhamos promessas da
fidelidade, da provisão e da proteção de Deus, a tarefa mais difícil dos
cristãos, a meu ver, consiste em seguir a ordem expressa nas três
palavras “não andeis ansiosos”.
Uma senhora idosa disse certa vez que havia sofrido muito,
principalmente por causa de preocupação e medo de coisas que nunca
aconteceram. Corrie ten Boom disse sobre este assunto:
Eu creio que, quando nos preocupamos, praticamente nos comportamos
como ateus. Ou cremos em Cristo, ou não cremos. Ele disse: “Eu venci o
mundo”. Ele venceu? Ou Ele apenas nos prega uma peça de mau gosto?
Muitas vezes procedemos como pessoas que usam o elevador, mas não
colocam a pesada mala no chão, preferindo segurar todo o peso. Na
verdade somos crentes, mas simplesmente não nos aventuramos a entregar a
nossa carga de preocupações Àquele que quer se preocupar conosco, que
cuida de nós e nos conclama na Bíblia:

Não se preocupem!

Na prática, como demonstramos que “não nos preocupamos com nada”? Filipenses 4.6-7 nos diz:
“Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam
conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela
súplica, com ações de graça. E a paz de Deus, que excede todo o
entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus.”
“Não se aflijam com nada; ao invés disso, orem a respeito de
tudo; contem a Deus as necessidades de vocês, e não se esqueçam de
agradecer-Lhe suas respostas” (Fp 4.6, A Bíblia Viva).
A exortação de Deus “Não andeis ansiosos” não é um conselho amoroso, um desejo ou um pedido, mas uma ordem! Nela somos chamados a assumir a tarefa mais pesada dos cristãos.
De fato existem muitas coisas que podem nos preocupar. Problemas
familiares: o que será dos nossos filhos? o que acontecerá se eu perder o
emprego – o dinheiro ainda será suficiente para todos? Nos negócios: no
último ano as coisas correram bem. Mas neste novo ano, será que
venceremos todos os obstáculos? Outras preocupações: medo de câncer,
medo de infarto, de qualquer outra doença ou de um acidente. Medo de
alimentos que prejudicam a saúde, da morte repentina, da guerra, da
inflação… Talvez sobre a prancheta com a lista das preocupações até
existam coisas das quais poderíamos dizer: “Nesse caso, tenho razão em
me preocupar”. Todavia, simplesmente devemos concordar que esse
procedimento é totalmente contrário à ordem de Deus: “Não andeis ansiosos de cousa alguma”.
Racionalmente nos preocupamos de fato, mas o cuidado de Deus está
acima do nosso entendimento. Por isso também está escrito a esse
respeito: “Não andeis ansiosos… E a paz de Deus, que excede todo o
entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus”
(Fp 4.6-7).
A paz que Deus dá excede e vence qualquer dúvida da
nossa mente e supera todas as ansiedades, pois está enraizada na pura
confiança em Deus. Em todas as lutas da vida, quando Ele enche nosso
coração com paz celestial, guarda-nos na comunhão com Cristo Jesus.
Não se preocupem

Não andeis ansiosos, porque grande é o Senhor

Por que a Bíblia insiste tanto em, como cristãos renascidos, não nos preocuparmos? “Não andeis ansiosos…
Porque nisso resplandece a grandeza de Deus que excede a tudo. O
Eterno, o Guardador da nossa vida, é tão poderoso e tão preocupado
conosco que realmente não precisamos estar ansiosos por nada. É uma
honra para Ele assumir todas as nossas preocupações. Por isso Pedro diz:
“lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós” (1 Pe 5.7).
Certamente, uma coisa não funciona sem a outra. Somente quando lançamos
todas as nossas ansiedades sobre o Eterno, Ele também cuida de nós. Mas
se arrastamos as nossas ansiedades junto conosco, então nós mesmos
criamos muita aflição, muito sofrimento e muita inquietação. Além disso,
toda preocupação não adianta nada, pois o próprio Senhor Jesus diz: “Qual
de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da
sua vida… vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas” (Mt
6.27 e 32b).
Quem assim mesmo tenta resolver sozinho seus próprios
problemas mostra que não reconhece a grandeza de Deus, ou seja, torna o
Senhor pequeno e rouba-Lhe a Sua honra!
A seguir quero fazer algumas perguntas que podem ser úteis para você:
  • Você crê que o Senhor Jesus ouve as orações?
  • Você crê que Deus cuida de nós?
  • Você crê que Deus zela pelos nossos interesses?
  • Você crê que Deus consegue resolver mesmo as nossas maiores dificuldades?
  • Você crê que nada em nossa vida passa despercebido para o Senhor Jesus?
  • Você crê que Deus é Todo-Poderoso?
  • Você crê que Deus nos dirige e faz com que tudo contribua para o nosso bem?
Se você pode responder a todas estas perguntas afirmativamente – então, por que ainda se preocupa?
Racional e teoricamente sabemos tudo muito bem; sabemos de cor
promessas como, por exemplo, o Salmo 23; somos instruídos e crescemos no
discipulado cristão; podemos testemunhar de experiências que fizemos
com o Senhor – mas, mesmo assim, ainda não aprendemos a entregar as
nossas preocupações totalmente ao Senhor. Quando surgem novos problemas,
voltamos a nos preocupar e ficamos ansiosos, exatamente como fez Israel
no deserto. Assim vemos que a ordem “não andeis ansiosos” é de fato uma das tarefas mais difíceis do verdadeiro cristão.
Bill Bright disse certa vez em relação a 1 Pedro 5.7:
Reconheci que, em minha vida, ou sou eu que carrego os fardos ou é o
Senhor Jesus. Não podemos carregá-los juntos, e eu decidi lançá-los
sobre Ele.
Não se preocupar, naturalmente, não quer dizer que os problemas são
retirados de nós instantaneamente, mas sim que é levado o peso que esses
fardos representam em nossas vidas. Os problemas nem sempre são
solucionados imediatamente, mas somos libertos da pressão deles. Então
podemos experimentar o que diz o Salmo 68.19b: “Bendito seja o Senhor que, dia a dia, leva o nosso fardo! Deus é a nossa salvação”. A Bíblia Viva diz: “Louvado seja o Senhor! Ele leva nossos problemas e nos dá a sua salvação.”
Quão grande é o Senhor? A Bíblia está cheia de exemplos da providência de Deus para com o Seu povo e para com os Seus filhos:
  • Israel esteve por 40 anos no deserto. Nunca faltou pão e água aos
    israelitas, e suas sandálias não se gastaram nos seus pés (Dt 29.5).
    Quando Josué e Calebe entraram na Terra Prometida, ainda tinham nos pés
    as mesmas sandálias que usavam quando saíram do Egito!
  • Nenhum pardal cairá no chão sem o consentimento do Pai. Alguém
    disse: “Deus participa do funeral de cada pardal”. Quanto mais preciosos
    somos nós do que um pardal (Lc 12.6 e Mt 10.29)?!
  • Ele veste os lírios no campo com glória e esplendor maiores que a glória de Salomão (Mt 6.28-30). Ele que se preocupa com cada
    boi, quanto maior cuidado tem de nós (1 Co 9.9-10)!
  • Jesus Cristo, o Bom Pastor, toma sobre Seus ombros cada ovelha
    perdida que encontra (Lc 15.3-7) como o sumo sacerdote trazia sobre seus
    ombros e sobre seu peito os nomes das doze tribos de Israel (Êx
    28.6-29). E Jesus é o grande Sumo Sacerdote.
  • Nossos nomes estão gravados nas Suas mãos. Na cruz Ele nos sustenta plenamente (Is 49.16).
  • Ele conta os cabelos da nossa cabeça, e nossas lágrimas são
    recolhidas por Deus e inscritas no Seu livro (Mt 10.30 e Sl 56.9). Qual
    pai ou mãe já fez isso, alguma vez, com seus filhos?
  • Nenhuma arma forjada contra nós prosperará (Is 54.17); nós somos como a menina do Seu olho (Zc 2.8).
  • Não submergiremos nos rios e não queimaremos no fogo (Is 43.2).
  • Em toda a nossa angústia Ele é angustiado (Is 63.9).
  • Aquele que nos guarda não dormita nem dorme (Sl 121.3-4).
  • Ele nos compreende mesmo sem palavras, disse o rei Davi (Sl 139.2).
  • Ele é tão grande que entregou Sua vida por nós (Jo 10.11), e não cuidaria de nós todos os dias?
  • Ele nos carregará até que tenhamos cabelos brancos e cuida de nós “desde o princípio até ao fim do ano” (Is 46.4 e Dt 11.12).
  • E em Hebreus 13.5 lemos: “De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei”.
Grande é o Senhor

Por que não devemos nos preocupar

1. Porque as preocupações são desnecessárias

Não estamos expostos ao destino cruel, nem entregues ao acaso. Pelo
contrário, está escrito que Ele – por amor do Seu nome – nos guia pelas
veredas da justiça (Sl 23.3).
Quando Rute procurou ansiosamente um campo de cereal maduro para poder sobreviver com sua sogra, está escrito: “Por casualidade entrou na parte que pertencia a Boaz” (Rt 2.3).
Isso foi mero acaso, ou foi o Senhor que a dirigiu? Quando Rute voltou
para sua sogra Noemi com batante cevada e lhe contou tudo, será que ela
disse: “Oh, que coincidência!”? Não, ela sabia muito bem que isso fora o
cuidado de Deus por elas e se regozijou, dizendo: “Bendito seja ele
(Boaz) do Senhor, que ainda não tem deixado a sua benevolência nem para
com os vivos nem para com os mortos” (v. 20).
A graça e o fiel cuidado de Deus estavam por detrás da vida dessas duas mulheres.

2. Porque as preocupações não adiantam

De maneira nenhuma elas são capazes de solucionar algum problema.
Certa vez, alguém disse: “As preocupações nunca eliminam as dores do
futuro, mas acabam com o poder do presente.” Com preocupações não
podemos prolongar nossa vida (Mt 6.27).

3. Preocupações são nocivas

Li recentemente que as enfermidades psicossomáticas têm aumentado
muito. Muitas úlceras, problemas cardíacos e outras doenças têm sua
origem nas preocupações. Elas provocam tensões, mau humor e nervosismo.

4. Preocupações nos tiram a liberdade

Corrie ten Boom disse: “Provavelmente as preocupações são nossos carcereiros mais constantes.”

5. Preocupações são pecado

A Bíblia diz: “tudo o que não provém de fé é pecado” (Rm 14.23b).
Preocupações põem em dúvida a sabedoria e o poder de Deus. Elas
insinuam que Ele não age, que não se importa conosco e que não se
interessa por nós.
Não devemos nos preocupar

A cruz – expressão máxima
da preocupação de Deus conosco

A cruz do Calvário é o lugar onde podemos descarregar todas as nossa
ansiedades e preocupações, todos os pecados, todas as aflições. A cruz é
a maior prova do cuidado de Deus por nós, ali temos ajuda. Justamente
na cruz, o Senhor nos mostra o quanto está preocupado conosco. Está
escrito em João 19.25-27: “E junto à cruz estavam a mãe de Jesus, e a
irmã dela, e Maria, mulher de Clopas, e Maria Madalena. Vendo Jesus sua
mãe e junto a ela o discípulo amado, disse: Mulher, eis aí teu filho.
Depois, disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. Dessa hora em diante, o
discípulo a tomou para casa.”
Até em meio ao Seu próprio
sofrimento, quando estava dependurado na cruz, cheio de dores, o Senhor
se preocupou com Sua mãe e com Seu discípulo João. Que maravilhoso
exemplo do amor e do cuidado de Deus!
Devemos levar todas as nossas preocupações até a cruz; nesse sentido, Paulo também nos diz: “Não
andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas,
diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com
ações de graças” (Fp 4.6).
Assim como não devemos nos preocupar por “coisa alguma”, devemos fazer conhecidas “em tudo” as nossas petições a Deus, com ações de graça. “Em tudo” significa
que não existem coisas, por mais pequeninas ou maiores que sejam, pelas
quais não devêssemos orar. Não deveríamos administrar algumas coisas
por nossas próprias forças, deixando outras por conta de Deus. Nosso Pai
celeste tem poder para resolver todos os nossos problemas.
Devemos orar e suplicar “com ações de graça”. Devemos agradecer ao Senhor por benefícios já recebidos e agradecer no presente pela certeza dos benefícios futuros. “E
esta é a confiança que temos para com ele: que, se pedirmos alguma
coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve. E, se sabemos que ele nos
ouve quanto ao que lhe pedimos, estamos certos de que obtemos os pedidos
que lhe temos feito” (1 Jo 5.14-15).
Norbert
Liet
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