Mídias sociais para a glória de Deus

Mídias sociais para a glória de Deus
Mídia social é possivelmente a expressão mais comum ou popular do que é por vezes chamado de Web 2.0. A Web 1.0, para aqueles que possam estar se perguntando, era constituída basicamente de páginas estáticas contendo dados pré-fixados. A Web 2.0 é a mais dinâmica e interativa expressão da rede que todos nós agora apreciamos ou ao menos utilizamos. A Web 3.0, para aqueles atormentados com tamanhas perspectivas futuras, deve envolver uma aproximação cada vez mais estreita em tempo real dos interesses apreendidos dos usuários baseados nos dados coletados a partir de suas atividades anteriores. (Curiosamente, o fato disso já estar sendo feito tem aterrorizado e enfurecido a minha estimada mãe – Google, tome cuidado!)
Mídias sociais são essas plataformas e aplicativos em que, e pelas quais, pessoas criam, compartilham, trocam e comentam informações. A maioria das definições e catálogos incluem uma vasta gama de wikis, blogs, Facebook, Twitter, YouTube, Pinterest, Tumblr, Instagram, Snapchat, salas de bate-papo, mensagens instantâneas e fóruns de discussão, MySpace, Bebo, Flickr, Vine e um monte de outros.
Entretanto, se somos seguidores professos de Jesus Cristo, deveríamos nos envolver, e – caso sim – como e para que fins? Podemos usar as mídias sociais para a glória de Deus? Essa pergunta leva às respostas do que se pode e o que se deve fazer quanto ao engajamento nas mídias sociais. Eu acredito que, se estivesse disponível para dar uma opinião, o apóstolo Paulo sugeriria, em essência, que nós podemos usar as mídias sociais e que – se nós as usarmos – que devemos usá-las para a glória de Deus.
Minha resposta é baseada em 1 Coríntios 10.31: “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus.” Aqui Paulo está respondendo, pela segunda vez na carta, à linguagem que pode ter sido ou se tornado um slogan corintío, possivelmente uma versão distorcida de uma verdade que estava sendo abusada por uma interpretação e aplicação errôneas: “Tudo me é lícito”. Mesmo que Paulo ou outro mestre tivesse usado essa linguagem de alguma forma, não era com a intenção de prover proteção à rudes males. No capítulo 10, Paulo responde à declaração de que “todas as coisas são lícitas” com os avisos de que nem tudo é útil ou edificante. Sua discussão subsequente, abordando a questão da comida oferecida a ídolos, termina no princípio geral de que quer você coma ou beba, ou faça qualquer coisa, você o faz para a glória de Deus.
Certamente, Paulo quer que nós nos asseguremos de que nossas atividades mais mundanas sejam realizadas com o foco em glorificar a Deus. Mas esse beber e comer não é, no contexto, uma atividade mundana e sem significado. É uma atividade que pode envolver uma ligação com idolatria, se não aos nossos olhos, então potencialmente aos olhos dos outros. O ponto no princípio de Paulo, então, é que nossa maior preocupação não deve ser com nossos próprios direitos, desejos e liberdades, mas com o impacto potencial e implicações do nosso comportamento na honra e glória do Senhor. A glória de Deus e a reputação da igreja serão comprometidas por nossa conta se o que fizermos levar os outros a julgarem desfavoravelmente a fé que nós professamos e o Deus a quem nós servimos.
Nossa grande preocupação é que todas as coisas devem ser a glória de Deus, a honra de seu grande nome. Todo o resto deve estar subordinado a isso. Nas palavras de Charles Hodge, comentando essa passagem, “Que o eu seja esquecido. Que seu olhar esteja fixo em Deus. Que a promoção de Sua glória seja o objetivo de tudo que você faz.  Empenhe-se em tudo para agir de uma forma que os homens possam louvar o Deus que você professa servir”. Note a natureza proativa disso: com firmeza busque esses fins, seja pelo que você almeja e a forma como você busca isso, seja pelo que você se abstém de almejar. Matthew Henry também nos fornece esclarecimentos proveitosos:

O apóstolo aproveita o ensejo desse discurso para definir uma regra para a conduta cristã, e a aplica nesse caso particular (v. 31, 32), a saber, que no comer e no beber, e em tudo que nós fazemos, devemos mirar a glória de Deus, o agradando e honrando. Esse é o princípio fundamental da piedade prática. O fim maior de toda religião prática tem que nos direcionar para onde regras específicas e expressas estão deficientes. Nada deve ser feito contra a glória de Deus, e o bem do nosso próximo, conectado a isso. Não, a tendência do nosso comportamento ao bem comum e a reputação da nossa santa religião devem dar direcionamento a isso. E, portanto, nada deve ser feito por nós para ofender alguém, quer seja judeu, ou gentio, ou a igreja, v. 32. Os judeus não devem ser desnecessariamente lamentosos nem preconceituosos, tendo tamanha repulsa para com ídolos, considerando tudo o que é oferecido a eles como, assim, contaminado, e que isso irá poluir e tornar culpável todos os que tomam parte nisso; nem devem os pagãos serem tolerados na sua idolatria por qualquer comportamento nosso, o que eles podem interpretar como uma homenagem ou honra feita aos seus ídolos; nem novos convertidos do gentilismo devem ser encorajados pela nossa conduta para assim manter qualquer veneração aos seu deuses pagãos e adoração, a qual eles renunciaram; nem nós devemos fazer nada que possa ser um meio que perverta qualquer membro da igreja de sua profissão ou prática cristãs. Nosso próprio humor e apetite não podem determinar nossa prática, e sim, a honra de Deus e o bem e edificação da igreja. Nós não devemos consultar nosso próprio prazer e interesse quanto ao avanço do reino de Deus entre os homens. Note, um cristão deve ser um homem devotado a Deus, e de um espírito público.

Então, nessa enxurrada de dados em que somos chamados a surfar, com suas demandas infinitas e vastas oportunidades, nós não podemos nos permitir uma dedicação impensada e descuidada. Como comida oferecida a ídolos, nosso uso das mídias sociais reflete na nossa profissão de seguir ao Senhor e portanto, por fim, reflete no próprio Senhor Deus.
Dessa forma, é absolutamente correto perguntar, primeiramente, “Eu posso, eu devo, me envolver?” A resposta para essa questão envolverá uma avaliação franca e honesta de nosso próprio caráter com suas inclinações e desejos. Levando isso em conta, devemos considerar a forma, intenções e efeitos usuais de toda aplicação e plataforma das mídias sociais: Qual é o tom e natureza disso? O que ele é designado para fazer por, para e com os seus usuários? Quais as orientações e tendências daqueles que empregam isso como ferramentas ou brinquedos? Perguntas assim geralmente levarão a respostas imediata e obviamente negativas. Sites criados para insultar ou expor (literalmente) ex-namorados e namoradas não tem espaço no histórico de navegação de um cristão. Também pode haver, entretanto, sites que alguns considerarão inofensivos que um cristão, ou alguns cristãos em particular, devem evitar ou ignorar porque não precisam deles ou não seriam capazes de usá-los de forma segura e aproveitável. Lembre-se, são raros, para muitos de nós, imperativos de “Você deve!” para a questão do envolvimento nas mídias sociais.
Isso nos leva à segunda questão: “Se eu posso me envolver, como devo fazer isso?” Como posso fazer isso para a glória de Deus? Para poder começar a responder a essa pergunta, eu desejo oferecer uma rede, uma web, de sabedoria, uma trama retirada do Livro dos Provérbios, que eu espero que ajude crentes a filtrar os perigos e avaliar sua contribuição para as várias plataformas de mídias sociais. Nos posts futuros, sugerirei alguns princípios básicos, alguns textos de apoio nos quais eu espero que você medite e uma breve síntese que pode te ajudar na sua reflexão. Eu não espero que isso vá responder a todas as perguntas, mas espero que isso venha a encorajar uma prudência e reflexão sobre o nosso uso das mídias sociais para a glória de Deus, promovendo também uma análise de outras formas de comunicação.
por Jeremy Walker
Traduzido por Kimberly Anastacio | iProdigo.com |

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