Eclesiologia (A Doutrina da Igreja) I Parte

Eclesiologia (A Doutrina da Igreja) I Parte

Eclesiologia é o estudo acerca da igreja. Ekklesia, (grego) Assembleia, reunião. Logia (grego) Estudo, trado. Portanto, vemos que a palavra “igreja” quer dizer assembleia, reunião ou congregação. Esta palavra tem um sentido prático que quer dizer “os que foram chamados para fora”. Daí podemos entender que “igreja” é composta de pessoas que “foram chamadas para fora do mundo” para viver de acordo com a vontade de Deus. Vemos este termo sendo usado a primeira vez pelo Senhor Jesus em Mateus 16:18: “Edificarei a minha igreja”.Além do termo “Igreja” mais usado comumente no N.T., também podemos ver um outro termo usado no N.T. e que também é usado por algumas igrejas hoje, é o termo Comunidade. Aparece cerca de quatro vezes no N.T. (At. 6:2,5; 15:30), sendo que uma delas se refere a Israel e não à Igreja (Ef. 2:12). De fato, os textos que podemos ler em Atos são históricos e confiáveis, e que se referem a comunidade do povo de Deus, porém o nome que Jesus deu à sua igreja pela primeira vez foi “Igreja” (Mat. 16:18). Este é o nome que em todo o N.T. é aplicado pelos apóstolos nas Cartas às Igrejas.Em Apocalipse 2 e 3, vemos Jesus falando às sete Igrejas da Ásia. O termo Comunidade tem sido adotado por algumas igrejas hoje por motivos vários, entre eles:

  • Enfatizar a comunhão entre os membros;
  • Dar valor aos relacionamentos e o discipulado, aproximando-as umas das outras;
  • Mostrar aos membros que fazem parte de uma família no Senhor, etc…
Vale lembrar que muitas tem crescido e desenvolvido um excelente trabalho, frutificando para o Senhor, e quando há frutos que glorificam o Senhor, devem ser respeitadas. É claro que o termo mais bem fundamento nas Escrituras é “Igreja”. Tanto pela declaração do Senhor Jesus, quanto pela declaração dos apóstolos. Mas deixamos bem claro, que o termo “Comunidade” também foi usado e se referia ao povo de Deus.
Qual é o Fundamento da Igreja?
 
Podemos ler na Palavra de Deus que a Igreja do Senhor Jesus tem um fundamento, e de acordo com o Evangelho de Mateus 16:3-19 e I Cor. 3:10-17, o fundamento da Igreja é Jesus Cristo, o Filho do Deus Vivo. Não há outro fundamento além d’Ele (I Cor. 3:11). O fundamento da Igreja é o próprio Senhor Jesus (Mat. 16:3-19) Ele é a Pedra Angular (I Ped. 2:4-8). Ninguém pode lançar outro fundamento além do que já está posto, que é Jesus. Infelizmente há aqueles que querem pregar um outro evangelho, um outro fundamento tanto ao lado de Jesus como substituindo-O, porém as Escrituras deixam claro, não há outro.
O outro lado deste fundamento é o ensino dos apóstolos e dos profetas que aponta para a pessoa de Jesus Cristo e seus ensinamentos (Ef. 2:20).
A Igreja
 
A Igreja pode ser entendida como igreja universal e igreja local:
  • Igreja universal. “É espiritual, composta de todos os crentes em todos os tempos e em todos os lugares, os quais aceitaram a Cristo como cabeça”. Esta concepção aparece em Hebreus 12:22; Ef. 3:10; 5:23-32; Col. 1:18, 24; I Tim. 2:15).
  • Igreja local. “E uma reunião de pessoas regeneradas e biblicamente batizadas que, num determinado lugar, voluntariamente se reúnem, de acordo com as leis de Cristo, a fim de assegurar o pleno estabelecimento do Seu Reino neles próprios e no mundo”. Trata-se de um organismo local ou corpo de Cristo local (At 16:5; Rm 16:4; I Co 7:17; II Co 1:1; Cl 4:15; I Ts 1:1).
Ainda podemos ver outros termos como:
  • Igreja dos Primogênitos: Mencionada uma vez em Hb 12:23. São identificados com aqueles que foram salvos e já desfrutam da Glória e do gozo do Senhor.
  • Militante: É a Igreja que está militando. lutando aqui na terra para cumprir sua missão.
  • Triunfante: Igreja arrebatada, vitoriosa. Igreja que será a reunião de todos os crentes que perseverarem e saíram vencedores.
Símbolos da Igreja
  1. Edifício: Como edifício, a Igreja tem o fundamento, que é o Senhor Jesus, a ‘‘Pedra Angular” (I Co 3:10,11; Ef. 2:20-22). Nesse edifício, cada crente é um tijolo, uma pedra (I Pd 2:5).
  2. Lavoura: A Igreja é a lavoura de Deus e precisa de cuidados para frutificar (I Co 3:6-9).
  3. Noiva: Como noiva a Igreja tem Jesus, que é o seu noivo. Ela é submissa a Ele (Ef 5:22-33). E ainda como noiva, ela deve se apresentar ao Senhor pura, sem ruga, sem defeito (Ef. 5:26,27) e virgem (II Co 11:2).
  4. Corpo: Este é o símbolo mais conhecido para a Igreja. De fato a Igreja é o Corpo de Cristo visível e atuante aqui na terra e cada discípulo deve ser um membro ativo e em pleno funcionamento (I Co 12:12-27).
  5. Casa: O termo grego usado pelo apóstolo Paulo em I Tm 3:14-16 (v. 15) quer dizer família, e não edifício. A Igreja é a família de Deus, que é o nosso Pai, e Jesus é o nosso irmão maior.
  6. Coluna: A coluna da Verdade neste mundo em oposição às mentiras de satanás (I Tm 3:15).
  7. Rebanho: Este é outro símbolo muito usado (At 20:28; I Pd 5:2).
  8. Luz e Sal: Luz para brilhar nas trevas e sal para provocar sede de Deus nos homens e conservar a sociedade para que esta não se corrompa no pecado (Mt 5:13-16).
Esta Igreja, tem um fundador, ao contrário do que muitos dizem, não foi Pedro, mas é claramente dito aos fiéis que é o Senhor Jesus (Mat. 16:18), e do ponto de vista do plano de Deus, a Igreja estava nos planos de Deus que remontam à eternidade. Do ponto de vista histórico, ela surgiu ou nasceu como autêntica obra da autoria de Nosso Único Senhor e Salvador Jesus Cristo. Como já citamos, do ponto de vista divino, Deus elegeu a sua Igreja antes da fundação do mundo (Ef. 1:4). No tempo do ministério de Jesus aqui na terra, podemos dizer que a Igreja estava em fase embrionária e em Pentecostes nasceu como um organismo vivo (At. 2:1-4).Ordenanças para a Igreja e significados

  • O Batismo e a ceia do Senhor. Batismo (grego, Baptizo) significa mergulhar, imergir (Mat. 28:19; Rom. 6:1-8). O ato de mergulhar simboliza a morte, sepultamento e ressurreição em Cristo (Rom. 6:4). É uma ordenança de Cristo (Mat. 28:18-20; Marc. 16:15-16). Este ato é uma ordem do Senhor Jesus, ato este que admitia a pessoa à igreja cristã local, e é para os que creem (Marc. 16:16). Quanto à forma de se batizar, biblicamente falando é usada a imersão ou mergulho como podemos ver no exemplos bíblicos: Os israelitas na travessia do Mar Vermelho (I Cor. 10:1-2); João Batista sempre batizava onde havia muita água (Jo. 3:23), ou seja, no rio Jordão; Jesus após o seu batismo saiu da água (Mat. 3:16); o eunuco da Etiópia desceu até a água e saiu após ser batizado (At. 8:38-39). E a forma como deveria ser feito Jesus ensinou e deixou bem claro: “…Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (Mat. 28:19). É um sinal de arrependimento e perdão (At. 2:38); união com Cristo (Gál. 3:26-27), tanto em sua morte como em sua ressurreição (Rom. 6:3-5).

 

COMENTÁRIO
A fórmula: “Batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito
Santo” (Mt 28.19). Como vamos reconciliar isso com o mandamento
de Pedro: “…cada um de vós seja batizado em nome de Jesus
Cristo”? (At 2.38). Estas últimas palavras não representam uma
fórmula batismal, porém uma simples declaração afirmando que
recebiam batismo as pessoas que reconheciam Jesus como Senhor
e Cristo. Por exemplo, o “Didaquê”, um documento cristão escrito
cerca do ano 100 A.D., fala do batismo cristão celebrado em nome
do Senhor Jesus, mas o mesmo documento, quando descreve o rito
detalhadamente, usa a fórmula trinitária” (Conhecendo as Doutrinas
da Bíblia, páginas 220 e 221, Myer Pearlman).

Portanto, diante do que podemos ver na Palavra de Deus, a forma bíblica do batismo é o mergulho ou imersão e a fórmula é em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (Mat. 28:19).

  • A Ceia do Senhor: (Mt 26:26-30; I Co 10:16,17, 11:23-32). Há quatro tipos de ensino: Transubstanciação: Ensino do catolicismo romano de que o pão e o vinho se transformam literalmente no corpo e sangue de Cristo. Consubstanciação: Ensino da Igreja Luterana de que Cristo de alguma forma se faz presente nos elementos da ceia. Benção Inerente: Ensino de algumas Igrejas evangélicas de que há uma bênção especial nos elementos da ceia. Ceia Simbólica: Pensamento mais comum nas Igrejas evangélicas e coerente com o ensino bíblico de que a ceia é um simbolismo ou memorial do sacrifício de Cristo. Esta é a posição dos batistas e grande parte das Igrejas evangélicas. “fazei isto em memória de mim.” (I Co 11:24,25).
Acompanhe a segunda parte deste estudo.
Deus abençoe a sua vida.
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Bibliografia:
CAMPOS, Geraldo M. Teologia em
Perguntas e Respostas:
1ª Ed. Minas Gerais. pág. 71 – 78.
KASCHEL, Werner; ZIMMER, Rudi. Dicionário
da Bíblia de Almeida:
2ª Ed. São Paulo: SBB, 1999.

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