As barganhas nossas com Deus

As barganhas nossas com Deus

 Dia desses, conversando com uma ovelha de minha igreja, ouvi dela seu testemunho sobre uma benção recebida. Claro que sempre é ouvir das coisas que Deus tem feito por seus filhos, contudo, no meio do “bé, bé, bé”, ela me solta a frase: “Ai, eu já tinha deixado de trabalhar aos domingos fazia três meses e eu dizia: – ‘Senhor! Cadê minha benção?” Com a honestidade de quem não sabe o que diz, essa irmã revelou o sentimento que está na maioria de nós quanto ao nosso relacionamento com Deus: se eu fiz, tenho de receber algo em troca – a famosa barganha.
De forma ingênua, nossa irmãzinha demonstrou uma compreensão do evangelho que é bem presente no evangelicalismo brasileiro. O impressionante é que tenho falado sempre sobre esse tipo de comportamento, mas parece que não entra na cabeça. As pessoas continuam olhando para sua obediência a Deus como uma forma de se alcançar méritos e benefícios junto ao Pai.
Longe disto, a Palavra de Deus nos ensina que escolher o caminho da obediência para que sejamos abençoados e a fim de termos vida (Dt 30). O intuito de Deus, quando revelou esse discurso por meio de Moisés era o de mostrar ao povo que o único caminho possível era o da Aliança, ou Pacto.
O povo vivia num contexto no qual os termos da aliança ditavam as regras de vida ou morte. Ainda hoje essa mesma aliança estabelece os termos de nosso convívio com Deus. Como Igreja do Senhor, temos de confiar na obra de Cristo e viver o evangelho segundo nos foi ensinado por ele, ou não alcançaremos a vida. Perceba que são os mesmos termos, só que com a diferença de que nossos irmãos do AT não entendiam que a vida só seria possibilitada pelo Messias, que viria morrer inclusive pelos pecados daquele tempo (Rm 3.21-26).
Numa primeira olhada parece que o Senhor está nos ensinando que a obediência nos leva às bênçãos que tanto desejamos. Contudo, perceba que a questão é a vida, não coisas específicas que nosso coração espera tanto. O caminho da obediência, isto é, do pacto, é o caminho da vida, portanto da bênção. Por outro lado, a desobediência nos conduz à morte. Para que recebamos os benefícios de Deus temos de estar em seus caminhos, portanto, na aliança, isto é, cobertos pelos méritos de Cristo, para que sejamos abençodos.
O problema de tudo isso é o de acharmos que somos nós quem decidimos que bênçãos são essas. A promessa do Senhor é de vida, não de casa, carro, emprego, soluções. Somos tão mimados que só aceitamos se for especificamente o que desejamos. No caso da ovelhinha acima, respondi de pronto: – “Sua bênção, sua sem vergonha (não se espante, o povo já tá acostumado comigo)!!! Sua bênção por não trabalhar no domingo foi a de ter comunhão com seus irmãos, cultuar a Deus e ouvir a pregação da Palavra!”
Interessantemente, depois de muitos domingos trabalhados, aquela irmã estava finalmente cultuando ao Pai com seus irmãos, e isso não lhe foi uma bênção, ou algo que lhe fez sentir-se abençoada!! Penso que a razão está justamente na compreensão do que é bênção e nas expectativas de um coração ganancioso e não descansado nas coisas de Deus. Sabe? Aquela história de buscar o Reino de Deus em primeiro lugar e a sua justiça? (Mt 6.33) Pois é, o fato é que focamos nas demais coisas que serão acrescentadas, sem entender que essas coisas são: comida e veste – conforme o discurso de Jesus.
Sem que queiramos admitir, estabelecemos um relacionamento de troca com o Senhor – das bem mesquinhas -, quando pensamos que, por obedecermos a um mandamento ou outro, somo merecedores de algo. Nisso, julgamo-nos capazes de satisfazer a perfeição de Deus e que Jesus já não é tão necessário assim. Como vemos em Romanos 6, nossa obediência, ou santidade, não é um meio para alcançarmos méritos diante de Deus – somente Cristo consegue fazer isso –, antes, agimos deste modo, para fazermos uma oferta de gratidão ao Senhor, a fim de aproveitar os benefícios já entregues em Cristo a nós. Isso significa que a bênção já veio, agora, resta viver de acordo com quem foi abençoado com vida, conforme nos foi prometido em Deuteronômio 30.
Seja humilde, perceba sua imperfeição e não pense que sua obediência é suficiente para convencer Deus de alguma coisa. Não seja tolo, confie na obediência de Cristo para estabelecer uma relação abençoadora com o Criador. Não seja ingrato, obedeça como uma oferta de gratidão àquele que já lhe deu VIDA. Não seja mesquinho, sinta-se satisfeito com salvação e pare de olhar para as vaidades (vaidade biblicamente é sinônimo do que passageiro, efêmero) desta vida. Por último, sinta-se abençoado por poder cultuar na companhia de seus irmãos. Não barganhe com Deus.

Fonte: http://alegriaindizivel.blogspot.com.br/

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