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O mistério em deixar pai e mãe

 O mistério em deixar pai e mãe

Além de Adão ser a expressa figura da imagem terrena de Cristo ( Rm
5:14 ), ele é o primeiro tipo de Cristo, pois Adão é cabeça da geração
humana e Cristo a cabeça da geração espiritual. Diferentes dos demais
tipos do Antigo Testamento, que apresentam semelhanças e comparações com
o antítipo, entre Adão e Cristo têm semelhanças e contrastes que
remontam um paralelismo sem igual. Além das semelhanças que já apontamos
entre Adão e sua mulher ‘versus’ Cristo e a igreja, temos outras
figuras que apontam para Adão e Cristo…
“Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne” ( Gn 2:24 )
Este verso é utilizado em quase todas
as cerimônias de casamento, porém, existe nele um mistério pouco
explorado. Também existem nele princípios essenciais que regem as
relações humanas após a união conjugal que são pouco conhecidos.
 Adão e Eva
 
Muitas mulheres cristãs sentem repulsa quando ouvem a seguinte passagem bíblica: “Vós,
mulheres, sujeitai-vos a vossos maridos, como ao SENHOR; Porque o
marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da igreja,
sendo ele próprio o salvador do corpo. De sorte que, assim como a igreja
está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo sujeitas a
seus maridos” ( Ef 5:22- 24) .
Quantas vezes não ouvimos frases rancorosas quando algumas mulheres
fazem referencia aos seus maridos? Será que a recomendação paulina não
se encaixa no nosso tempo? O que ele recomendou com o verbo sujeitar?
A recomendação tem um público específico: as mulheres casadas.
A recomendação aplica-se a todas as mulheres casadas em todos os
tempos, culturas e sociedades? Sim! A recomendação é para todas as
mulheres.
Como as mulheres devem se sujeitar aos maridos? Devem se sujeitar aos
maridos como se sujeitam ao Senhor, ou seja, voluntariamente. A
sujeição não é algo imposto, antes a mulher deve, voluntariamente,
sujeitar-se porque o marido é a cabeça da mulher.
O que significa o homem ser a cabeça da mulher? Significa que o homem
está em posição de autoridade em relação à mulher. Para uma melhor
compreensão, tem-se que visualizar que o papel da mulher é semelhante ao
papel da igreja “De sorte que, assim como a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo sujeitas a seus maridos” ( Ef 5:24 ).
Como Cristo é o salvador do corpo, isto significa que Cristo é a
cabeça da igreja, da mesma forma deve ser o relacionamento conjugal: o
homem é a cabeça da mulher, sendo que ela deve ser sujeita em tudo ao
marido.
Quando voluntariamente a mulher se sujeita ao marido, ao mesmo tempo
prestigia o seu casamento, visto que ambos são um só corpo. Quando se
sujeita ao marido, a mulher demonstra que a cabeça tem autonomia para
conduzir o casamento. Quando a mulher voluntariamente se sujeita ao
marido, os filhos aprendem o que significa autoridade sem demasiada
frustrações, e não terão problemas quando chegar o momento de conviverem
em sociedade.
Há muitas mulheres que amam os seus maridos, porém, não prestigiam a
cabeça do lar. Esquece que, quando não se submete ao marido, ao mesmo
tempo desonra a si mesma, principalmente quando a insurreição se dá com
palavras depreciativas.
Mas, a recomendação paulina não tem em vista somente as esposas, como se lê: “Vós,
maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si
mesmo se entregou por ela, para santifica-la, purificando-a com a
lavagem da água, pela palavra, Para a apresentar a si mesmo igreja
gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e
irrepreensível. Assim devem os maridos amar as suas próprias mulheres,
como a seus próprios corpos. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo.
Porque nunca ninguém odiou a sua própria carne; antes a alimenta e
sustenta, como também o Senhor à igreja;
Porque somos membros do seu
corpo, da sua carne, e dos seus ossos” ( Ef 5:25 -30 ).
O apóstolo ordena às mulheres que se sujeitem aos maridos, e aos
maridos ordena que amem as suas esposas. Os maridos devem amar as suas
esposas do mesmo modo que Cristo amou a igreja. A extensão do amor que o
marido deve devotar à sua mulher é entregando-se por ela.
O exercício do cuidado para com a esposa é sacrificial, e o marido
deve ter a consciência de que tal cuidado é para que ela se apresente
diante dele agradável, ou seja, deve ama-la como a seu próprio corpo.
Quem ama a esposa ama a si mesmo, cuida de si mesmo e, segundo o
apóstolo Paulo, seria sem sentido alguém odiar o seu próprio corpo.
Na união conjugal a mulher deve submeter-se ao marido voluntariamente
porque ele cuida dela, ou seja, o cuidado do marido é o que o investe
de autoridade. O conceito bíblico de autoridade é diferente do conceito
que há no mundo de que, quem a exerce deve exigir cuidados em vista da
posição que ocupa: o cuidado é característica da autoridade, ou melhor, o
cuidado é a única expressão de autoridade.
Cristo é a cabeça da igreja porque exerce cuidado por ela. A igreja
deve submeter-se a Ele porque todas as suas ações são motivadas pelo
amor e cuidado para com o seu próprio corpo.
A submissão da mulher e o amor do marido deve ser a tônica de um
relacionamento conjugal. Quando o casal chega a este entendimento e
expressa voluntariamente, um ao outro o que é ordenado, há paz e
harmonia sempre.

Cristo e a igreja
“Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne” ( Gn 2:24 )
Quando se ouve o verso acima, geralmente é considerado somente da
perspectiva humana, nas relações que decorrem da vida conjugal, porém, o
apóstolo Paulo, ao citar este verso aos cristãos em Éfeso, alerta que o
ato do homem deixar o seu pai e a sua mãe e apegar-se à sua mulher,
tipifica um grande mistério relacionado a Cristo e a igreja.
Após anunciar que há um mistério nesta passagem, o apóstolo Paulo
retoma a ideia inicial concluindo que o homem deve imitar a Cristo,
amando sua esposa, e a mulher deve imitar a igreja de Cristo,
reverenciando o marido: “assim também vós…”
( Ef 5:33 ). Este é o modelo ideal de comportamento dos cônjuges.
Ninguém está dizendo que seja fácil, mas é o comportamento certo para
uma união feliz.
Que mistério pode existir relacionado a Cristo e a igreja, no fato do homem deixar pai e mãe?
A resposta depreende-se dos seguintes versículos: “Se
alguém vier a mim, e não aborrecer a seu pai, e mãe, e mulher, e
filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda também a sua própria vida, não pode
ser meu discípulo” ( Lc 14:26 ); “Quem
ama o pai ou a mãe mais do que a mim não é digno de mim; e quem ama o
filho ou a filha mais do que a mim não é digno de mim” ( Mt 10:37 ).
O mistério, como o apóstolo Paulo disse, é revelado através do evangelho ( Ef 3:4 ).
O mistério estava no fato de:
  1. Assim como Deus concedeu ao primeiro Adão uma mulher,
    semelhantemente Deus concedeu ao último Adão, que é Cristo, a igreja (
    1Co 15:45 );
  2. Assim como Eva foi tirada da carne de Adão, semelhantemente a Igreja foi formada da carne de Cristo ( Gn 2:21 ; 1Co 11:24 );
  3. Assim como Deus fez cair um profundo sono sobre Adão para fazer-lhe
    uma adjuntora, semelhantemente Cristo desceu à sepultura, pois todos que
    ressurgem com Ele fazem parte da igreja ( Gn 2:21 ; );
  4. Assim como Adão disse: “Esta é agora
    osso dos meus ossos, e carne da minha carne” ( Gn 2:23 ),
    semelhantemente a igreja é osso dos ossos de Cristo e carne da carne de
    Cristo: “Porque somos membros do seu corpo, da sua carne, e dos seus
    ossos” ( Ef 5:30 );
  5. Assim como Deus disse: “Portanto deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-se-á à sua mulher, e serão os dois uma só carne” ( Gn 2:24 ; Mt 19:5 ; Mc 10:9 ), semelhantemente Jesus instituiu que: “Se
    alguém vier a mim, e não aborrecer a seu pai, e mãe, e mulher, e
    filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda também a sua própria vida, não pode
    ser meu discípulo” ( Lc 14:26 ); “Quem
    ama o pai ou a mãe mais do que a mim não é digno de mim; e quem ama o
    filho ou a filha mais do que a mim não é digno de mim” ( Mt 10:37 );
  6. Assim como Adão é terreno e a sua imagem é passada a todos os seus
    descendentes, semelhantemente, Cristo, o último Adão, é celestial e
    concede a sua imagem aos que d’Ele são gerados ( 1Co 15:46 -47), o que
    os tornam membros do seu corpo.
É por isso que, quando o apóstolo Paulo cita o verso 24, do capítulo 2 do livro de Gênesis: “Por isso deixará o homem seu pai e sua mãe, e se unirá a sua mulher; e serão dois numa carne” ( Ef 5:31 ), ele destaca haver um grande mistério.
Deixar pai e mãe para contrair matrimônio não implica em
abandoná-los. Humanamente falando, no matrimônio ocorre a junção de duas
pessoas em um só corpo, porém, após a união, ambos, marido e mulher
devem deixar o domínio dos pais, pois eram os pais que exerciam cuidado
sobre ambos.
Agora, neste novo corpo (união), a cabeça (marido) deve agir
desvinculada do cuidado dos seus pais e, o corpo (mulher) deve agir em
consonância com o seu novo papel social. Isto não significa que o
cristão deva desprezar seus pais segundo a carne, antes significa que
deve unir-se um ao outro perfazendo uma nova família com direção e
estilo de vida singular.
Do mesmo modo que é necessário ao homem deixar pai e mãe para unir-se
a sua mulher, tornando-se uma só carne, Jesus anunciou que, para ter
comunhão íntima (para conhecê-lo em verdade ( Jo 8:32 ), ser um com Ele e
o Pai ( Jo 17:21 ), osso dos ossos de Cristo e carne da carne de
Cristo) se faz necessário aos homens deixarem a geração segundo a carne,
pois pai e mãe representam a semente corruptível, pela fé em Cristo,
momento em que o homem é gerado de novo de uma semente incorruptível
(água e Espírito), tornando-se um só corpo com Cristo “Na
verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do
Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é
carne, e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te maravilhes de te
ter dito: Necessário vos é nascer de novo” ( Jo 3:5 -7).
A criação do homem e da mulher
Quando Adão e Eva foram criados, ambos estavam nus, e ambos não se
envergonhavam ( Gn 2:25 ), semelhantemente Cristo não se envergonha de
chamar os seus membros de irmãos ( Hb 2:11 e 11:16 ), e a igreja entra
no santo dos santos com ousadia ( Ef 3:12 ; Hb 4:16 ).
O apóstolo Paulo demonstrou que Adão era figura de Cristo ( Rm 5:14
), ou seja, quando Adão foi criado, foi a expressa imagem do Deus
invisível que o criou “E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou”
( Gn 1:27 ; Hb 1:3 ; Cl 1:15 ). Aquele que havia de vir (Cristo) e, que
criou todas as coisas ( Jo 1:3 ; Cl 1:16 ; Ef 3:9 ), foi quem
teofanicamente modelou o homem do pó da terra com as suas mãos e soprou o
fôlego de vida nas narinas de sua imagem terrena, tornado-o alma
vivente.
Qual foi a imagem e semelhança que Cristo deu a Adão? A imagem que
Cristo adquiriu após ressurgir dentre os mortos como primogênito ( Sl
17:15 ; Cl 1:18 ), ou a imagem que ele assumiria ao ser introduzido no
mundo como unigênito do Pai? ( Jo 1:14 ; 1Jo 4:9 ).
Ora, a semelhança que a expressa imagem do Deus invisível concedeu a
Adão no Éden foi a que Ele utilizou ao ser introduzido no mundo na
condição de unigênito do Pai. Ele concedeu especificamente a imagem e
semelhança de unigênito a Adão, visto que, ao ser introduzido no mundo
necessitava ser feito menor que os anjos por causa da paixão da morte (
Hb 2:9 ), para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote ( Hb 2:17 ),
participando das mesmas coisas: carne e sangue ( Hb 2:14 ).
O primeiro Adão não alcançou a imagem e semelhança do Altíssimo,
visto que, tal imagem e semelhança só é concedida àqueles que se
conformam com Cristo na sua morte e ressurgem pelo poder de Deus segundo
a imagem daquele que os criou ( Cl 3:10 ), até porque, o próprio Cristo
só alcançou tal semelhança ao ressurgir dentre os mortos, como atesta o
versículo: “Quanto a mim, contemplarei a tua face na justiça; eu me satisfarei da tua semelhança quando acordar” ( Sl 17:15 ).
Fazendo uma releitura do verso “E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou”
( Gn 1:27 ) entende-se que: criou Deus o homem à sua imagem. Que
imagem? A imagem e semelhança que o unigênito seria introduzido no
mundo, e não à imagem e semelhança que Cristo, na condição de cabeça da
igreja, adquiriu após ressurgir dentre os mortos “Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens” (
Fl 2:7 ). E como Deus criou o homem? A sua expressa imagem, que a tudo
criou, também se encarregou de criar o homem: homem e mulher os criou.
Após Cristo criar todas as coisas ( Hb 1:10 -12 ; Sl 102:25 ), com as
suas próprias mãos, fez Adão do pó da terra e soprou-lhe nas suas
narinas o fôlego da vida ( Gn 2:7 ). Em seguida, Cristo plantou um
jardim no Éden, fazendo brotar da terra toda espécie de árvores
agradáveis ( Gn 2:9 ), inclusive a árvore da vida e a árvore do
conhecimento do bem e do mal, que estavam no meio do jardim juntamente
e, após, colocou o homem como lavrador e guarda do jardim ( Gn 2:15 ).
Para criar a mulher, Cristo fez cair sobre Adão um profundo sono e
retirou uma das costelas de Adão e fechou a carne no seu lugar ( Gn 2:21
).
Após ter fechado a carne de Adão, Jesus tomou em suas mãos a costela
que foi retirada de Adão e formou a mulher ( Gn 2:22 ), e trouxe-a para o
homem.
Depreende-se da leitura do Gênesis que as relações entre Cristo e o
casal no jardim era perene, visto que, na viração do dia, ao ouvirem a
voz de Deus ( Hb 1:8 -9 ; Sl 45:6 -7), se esconderam. Seria sem sentido o
casal se esconder da divindade em sua majestade e glória, porém, como
viam Deus teofanicamente, como sendo igual a eles, procuram se esconder (
Gn 3:8 ).
 

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A Desobediência
Quando Adão ouviu a ordem divina: “De
toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do
conhecimento do bem e do mal, dela não comerás, pois no dia em que
comerdes, certamente morrerás” ( Gn 2:16 -17), ouviu-a de alguém que era seu igual.
Ele não ouviu uma voz etérea que ecoou pelo jardim, dizendo:
“Adãããão, Adão!”, como se tornou consenso. Não! Ele ouviu a ordem
teofanicamente da boca do próprio Verbo de Deus que havia de ser
encarnado na plenitude dos tempos. Ele desobedeceu a Cristo, a palavra
que concede vida ( Dt 8:3 ; Jo 6:50 -51 ).
Naquele instante ergueu-se uma barreira de separação entre Deus e os
homens. A ofensa de Adão trouxe de imediato o juízo e a condenação ( Rm
5:18 ). E qual foi a pena? A morte, ou seja, a barreira de separação.
Por que uma barreira de separação foi erguida? Porque Deus é vida e, a
nova condição do homem destituído da vida que há em Deus, é morte. Deus
é a verdade e, o homem naquele instante passou a ser mentira. Deus é
luz, e naquele instante o homem passou a ser trevas.
O Descendente da mulher
Deus repreende a serpente, a mulher e o homem ( Gn 3:14 -19 ), e faz um promessa: “E
porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua descendência e o seu
descendente; este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar”
( Gn 3:15 ). Naquele instante foi instituída a humanidade de Cristo, o
Verbo que se fez carne e passou a habitar entre os homens.
A promessa do descendente foi novamente anunciada ao gentio Abraão, que creu e foi justificado “Ora,
tendo a Escritura previsto que Deus havia de justificar pela fé os
gentios, anunciou primeiro o evangelho a Abraão, dizendo: Todas as
nações serão benditas em ti” ( Gl 3:8 ). Por causa da promessa do
descendente, Deus escolheu um povo para tal propósito, segundo a
linhagem do patriarca ( Rm 9:5 ).
Na plenitude dos tempos, gerado pelo Espírito de Deus no ventre de
mulher virgem, o Verbo se fez carne e Deus habitou em meio aos homens. O
apóstolo João assim descreveu a vinda do Messias: “No
princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.
Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e
sem ele nada do que foi feito se fez. Nele estava a vida, e a vida era a
luz dos homens. E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a
compreenderam” ( Jo 1:1 -5 ).
A nação que foi instituída para preservar a linhagem e trazer Cristo
ao mundo, rejeitou o Descendente prometido ao pai Abraão. Ele foi morto e
ao terceiro dia ressurgiu pelo poder de Deus. Através da oferta do seu
corpo foi desfeita a barreira de inimizade e separação que havia entre
Deus e os homens.
Todos os salvos sob a Antiga aliança foram salvos, assim como o
crente Abraão, pela fé no Descendente que havia de vir. Embora não
compreendessem o mistério que envolvia a morte do Cristo e a glória que
havia de segui-lo, foi revelado a eles que não profetizavam para si
mesmos “Aos quais foi revelado que, não para si mesmos, mas para nós, eles ministravam estas coisas
que agora vos foram anunciadas por aqueles que, pelo Espírito Santo
enviado do céu, vos pregaram o evangelho; para as quais coisas os anjos
desejam bem atentar” ( 1Pe 1:12 ).
Eles profetizavam acerca de uma esperança celestial, enquanto foi
reservado a eles uma esperança terrena, visto que foi estabelecido por
um decreto divino que o Messias regeria todas as nações da terra ( Sl
2:7 -8) e, para este mister, foi determinado que Cristo há de se
assentar no trono de Davi ( Rm 1:3 ; Zc 12:8 ; Mt 12:23 ).
A noiva do Cordeiro
Do mesmo modo que a mulher de Adão foi tirada da sua carne e dos seus
ossos ( Gn 2:22 -23 ), a noiva do Cordeiro foi tirada da carne e dos
ossos de Cristo ( Ef 5:30 ). No que isto implica?
Ora, quando Deus tirou a mulher da carne e dos ossos de Adão, deu-se o
início a geração terrena ( 1Co 15:47 ), de modo semelhante, quando
Cristo foi sepultado e ressurgiu, a igreja foi criada a partir da sua
carne e dos seus ossos, momento em que se deu início a uma nova geração
de homens espirituais.
Quando Adão conheceu a sua mulher, trouxe a existência homens carnais
e terrenos semelhantes a ele, e quando Cristo conheceu a igreja, trouxe
a existência homens espirituais e celestiais semelhantes a Ele ( 1Co
15:47 -49).
Da geração de Adão, alguns homens foram escolhidos para fazerem parte
da linhagem de Cristo e, um povo foi separado para preservar tal
linhagem e conferir ao Descendente o direito legítimo de assentar-se
sobre o trono de seu pai Davi. Ora, o povo de Israel foi escolhido para
este propósito estabelecido em Cristo: fazê-lo rei “Também o farei meu primogênito mais elevado do que os reis da terra” ( Sl 89:27 ; Is 52:13 -15).
Com relação a este propósito terreno, muitos em Israel foram eleitos,
porém, não foram salvos, pois a salvação só é possível através da fé no
Descendente, e não através da carne de Abraão.
Mas, como a igreja foi tirada da carne e dos ossos de Cristo, deu-se
início a uma nova geração, a geração eleita segundo o propósito
celestial ( 1Pe 2:9 ). Todos que são gerados de novo, segundo a geração
eleita, foram predestinados a serem filhos de Deus. Todos que foram
gerados de novo, foram eleitos para serem santos e irrepreensíveis
diante de Deus.
Diferente da eleição de Israel, todos que fazem parte do corpo de
Cristo, necessariamente, primeiro foram salvos pela fé em Cristo “… do evangelho segundo o poder de Deus, que nos salvou, e chamou com uma santa vocação; não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos dos séculos”
( 2Tm 1:9 ). Quando são salvos pelo poder de Deus contido no evangelho,
os crentes são chamados segundo o propósito estabelecido em Cristo, que
é Cristo preeminente em todas as coisas, posição que ele assumiu ao ser
a cabeça da igreja.
Ou seja, através da igreja, que foi tirada da carne e ossos de Jesus,
foi inaugurada uma nova geração de homens espirituais, semelhantes
Àquele que os criou ( 1Jo 3:2 ; Cl 3:10 ).

Adão e Cristo – tipo e antítipo
Além de Adão ser a expressa figura da imagem terrena de Cristo ( Rm
5:14 ), ele é o primeiro tipo de Cristo, pois Adão é cabeça da geração
humana e Cristo a cabeça da geração espiritual.
Diferentes dos demais tipos do Antigo Testamento, que apresentam
semelhanças e comparações com o antítipo, entre Adão e Cristo têm
semelhanças e contrastes que remontam um paralelismo sem igual.
Além das semelhanças que já apontamos entre Adão e sua mulher
‘versus’ Cristo e a igreja, temos outras figuras que apontam para Adão e
Cristo, respectivamente:
  • Adão é a porta larga e Cristo é a porta estreita – a porta é figura
    do nascimento, sendo que Adão é a porta larga porque todos os homens
    quando vêm ao mundo tem que entrar por ele ( 1Co 15:46 ). Após o homem
    nascer segundo a carne de Adão, necessário é nascer de novo, da água e
    do Espírito, ou seja, da palavra de Deus que limpa e dá nova vida ( Jo
    3:5 );
  • Adão é o caminho largo e Cristo é o caminho estreito – através
    destas duas figuras fica claro que não é o homem que vai à perdição ou à
    salvação, antes, nos dois casos os homens são conduzidos, ou seja, o
    caminho tem destino, não o viajante – através da ofensa de Adão os
    homens são conduzidos à perdição e através da obediência de Cristo os
    homens são conduzidos à salvação, como se lê: “Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela; E porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem” ( Mt 7;13 -14);
  • Adão é árvore má e Cristo é a árvore boa – Os homens são comparáveis
    a árvores, sendo que as árvores más têm origem na semente de Adão e as
    árvores boas têm origem na semente incorruptível, que é Cristo “Ou fazei a árvore boa, e o seu fruto bom, ou fazei a árvore má, e o seu fruto mau; porque pelo fruto se conhece a árvore” ( Mt 12:33 );
  • Em Adão são feitos os vasos para desonra e em Cristo os vasos para honra ( Rm 9:22 -24);
  • Em Adão são gerados os homens carnais e em Cristo os homens espirituais ( 1C0 15:46 -47)
  • Adão é a semente corruptível e Cristo a semente incorruptível ( 1Pe 1:23 );
  • Adão gera filhos servos do pecado e Cristo gera filhos servos da justiça ( Rm 6:18 );
  • A geração de Adão é planta que o Pai não plantou, e a geração de
    Cristo são árvores de justiça ( Mt 15:13 ; Is 60:21 ; Is 61:3 ), etc.
Adão foi descrito por Miqueias como sendo o homem piedoso que pereceu
( Mq 7:2 ). Enquanto Adão, o homem piedoso, foi feito alma vivente,
Cristo, o último Adão, foi feito espírito vivificante ( 1Co 15:45 ). A
morte veio por Adão, e a ressurreição por Cristo. Todos os homens
morreram em Adão, e todos são vivificados em Cristo ( 1Co 15:22 ). Adão é
a porta larga por onde todos os homens entram ao nascer, e Cristo é a
porta estreita, por onde entraram todos os que nascem de novo ( Mt 7:13
).
Quando vêm ao mundo, os homens entram pela porta larga (Adão), ou
seja, desde a madre o homem é ímpio, desviado (alienado) de Deus “Desviam-se os ímpios desde a madre…”
( Sl 58:3 ). Após ser formado em iniquidade e concebido em pecado,
trilham um caminho que o conduz à perdição, ou seja, andam errado desde
que nascem “Andam errados desde que nascem, proferindo mentiras” ( Sl 58:3 ; Rm 3:4 ). Esta é a condição de todos os homens gerados de Adão.
Diferente dos descendentes de Adão, que são alienados desde a madre,
Cristo foi gerado de Deus através da ação do Espírito Santo no ventre de
Maria “Portanto o mesmo Senhor vos dará um sinal: Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e chamará o seu nome Emanuel”
( Is 7:14). Caso fosse gerado de Maria e José, Cristo nasceria sob a
mesma condenação que pesa sobre a humanidade: alienado de Deus. Porém,
Cristo foi ‘lançado’ da madre de modo diferenciado “Sobre Ti fui lançado desde a madre; tu és o meu Deus desde o ventre de minha mãe” ( Sl 22:10 ; Mt 1:18 ).
Ao introduzir o Primogênito de toda a criação no mundo, Deus agiu de
modo miraculoso sobre o ventre de Maria ( Mt 1:20 ). Sobre a terra não
havia um justo se quer, porém, por meio do Verbo de Deus encarnado,
muitos justos são gerados para a glória de Deus ( Mt 1:21 ).
Deste modo, para atender a ordem de Cristo, que é aborrecer pai, mãe,
mulher, filhos, irmãos e irmãs e, ainda a sua própria vida, necessário
se faz aborrecer a sua geração natural herdada de Adão. O que isto
significa? Que o homem precisa morrer para a sua antiga condição.
Precisa morrer para o pecado que mantém cativa a geração natural dos
homens “Se alguém vier a mim, e não
aborrecer a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs, e
ainda também a sua própria vida, não pode ser meu discípulo” ( Lc 14:26 ; Mt 10:37 ).
E como se aborrece pai, mãe, mulher, filhos, irmãos e irmãs e, ainda a
sua própria vida? Tomando sobre si a maldição da cruz, pois é maldito
qualquer que for pendurado no madeiro. Deste modo, o homem torna-se
participante das aflições de Cristo, ou seja, toma a sua própria cruz e
segue após Cristo “E qualquer que não levar a sua cruz, e não vier após mim, não pode ser meu discípulo” ( Lc 14:27 ); “E
quem não toma a sua cruz, e não segue após mim, não é digno de mim.
Quem achar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a sua vida, por amor de
mim, achá-la-á” ( MT 10:38 -39).
Cristo se fez maldito em lugar dos homens ( Gl 3:13 ), e qualquer que
toma a sua própria cruz e segue após ele, aborrece pai, mãe, mulher,
filhos, irmãos e irmãs e, ainda a sua própria vida “Já
estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em
mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o
qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim” ( Gl 2:20 ); “Mas
longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus
Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo” ( Gl 6:14 ).
O que é pai, mãe, mulher, filhos, irmãos e irmãs e, ainda a própria
vida? Diz da geração segundo a carne de Adão. O homem deve abandonar sua
própria vida renunciando sua descendência que teve origem na semente
corruptível de Adão, Eva.
Deixar pai e mãe é fazer parte de uma nova família. Deixar pai e mãe é
desligar-se do pecado para uni-se a Cristo. Pai, mãe, mulher, filhos,
irmãos e irmãs e, ainda a sua própria vida representa a geração de Adão
que é sujeita ao pecado, mas através da cruz de Cristo o homem é
sepultado e ressurge uma nova criatura e passa a pertencer a uma nova
geração para a glória de Deus Pai “Que não
receba cem vezes tanto, já neste tempo, em casas, e irmãos, e irmãs, e
mães, e filhos, e campos, com perseguições; e no século futuro a vida
eterna” ( Mc 10:30 ).
Fonte: Portal de Estudos Bíblicos

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Meu nome é Júlio Fonseca sou Pastor da Igreja de Deus no Brasil na pequena cidade de Anhanguera/Go. Usando a internet para levar a palavra de Deus a todos. Com paz, amor e respeito.

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